Pop Futebol Clube e Torcidas Organizadas

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A mostra, concebida pelo artista plástico carioca (radicado em Sâo Paulo) Antonio Miranda, nasceu do desejo de mostrar a ligação do povo brasileiro com o futebol, mas sob o viés da cultura pop, como é característico em seu trabalho...

A mostra, concebida pelo artista plástico carioca (radicado em Sâo Paulo) Antonio Miranda, nasceu do desejo de mostrar a ligação do povo brasileiro com o futebol, mas sob o viés da cultura pop, como é característico em seu trabalho. Os objetos que surgem em cena revelam a natureza plural da cultura brasileira, tendo o futebol como principal vínculo. Miranda se utiliza de objetos descartáveis e do nosso cotidiano para dar sentido à sua proposta. Assim, um galão de água mineral pode dar vida a um barco, onde aparecem jogadores de futebol, estádios e também elementos coloridos da cultura popular. Uma garrafa de água sanitária se transforma em automóvel, levando torcedores, ícones pop, orixás e pequenos objetos encontrados pela rua. “A exposição é uma grande mistura de símbolos e objetos que são referências culturais”, sintetiza o artista, que trabalhou cerca de 40 peças com tamanhos que variam entre 0,50m e 0,90m de altura por cerca de 1,20m de comprimento. Como ele próprio admite, sua arte vem da busca de elementos cotidianos para expressar conceitos: “Neste caso, quis fazer uma coisa lúdica, mágica, aproveitando materiais encontrados aleatoriamente e incorporando coisas a partir de insights tidos no processo”. Nem mesmo uma perna mecânica de resina achada por acaso escapou à criatividade do artista, juntando-se a latas abertas de óleo comestível, restos de materiais e bolas de futebol. “ É tudo uma grande brincadeira em cima de alegorias”, resume Miranda, que já integrou a equipe do Museu Afro Brasil como museógrafo.

Barbosa, um goleiro no imaginário popular

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Artistas baianos de destaque, como Lygia Sampaio, Ju Campos, Dulce Cardoso, Guel Silveira, Adilson Santos, Almira Reuter e Licia Garrido, sob curadoria da museóloga Irene Santino, expõem... 

Artistas baianos de destaque, como Lygia Sampaio, Ju Campos, Dulce Cardoso, Guel Silveira, Adilson Santos, Almira Reuter e Licia Garrido, sob curadoria da museóloga Irene Santino, expõem trabalhos com técnicas e linguagens variadas tendo como tema o goleiro da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950, Moacir Barbosa. Negro, paulista de Campinas, Barbosa teve a sua trajetória profissional prejudicada pelo fatídico gol que entrou na rede brasileira na partida final contra o Uruguai. O jogador levou a responsabilidade pela derrota do Brasil na Copa e é isso o que a exposição quer questionar: “Na verdade, o brasileiro tem muita dificuldade em lidar com a perda, sobretudo no futebol. Com a mostra queremos quebrar esse paradigma e recuperar um pouco a memória de Barbosa, que morreu no anonimato e afastado da torcida. As pessoas nunca perdoaram esse gol (marcado pelo uruguaio Alcides Ghiggia), mas se esquecem de sua trajetória como jogador profissional e do seu empenho durante todo o jogo decisivo”, justifica a curadora Irene Santino. 

Cabeças de Orixás

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A ideia dessa mostra é expor a simbologia de sete orixás do universo religioso afro-baiano. Não exatamente orixás, mas inquices, já que o tema retratado tem a ver com o candomblé da nação Angola. As cabeças foram todas confeccionadas em sabão da costa, de uso sagrado pelos adeptos do candomblé, e retratam Xangô, Yemanja, Oxum, Oxossi, Ibeji, Oxalá e Exu. Chamadas de “Iba-Ori”, as cabeças de orixás não estão presas, contudo, a uma abordagem religiosa. Em sua leitura, o artista carioca Antonio Miranda, que idealizou a exposição, incorpora livremente elementos diversos para compor suas figuras. Exu, por exemplo, tem como característica visual o cabelo composto por garfos de plástico usados em festas de aniversário. Bonequinhos de brinde da rede Mc Donalds enfeitam a cabeça de Ibejis, orixá/inquice associado às crianças. Segundo Miranda, o uso desses elementos desmistificam a austera concepção de deuses: “São deuses sim, mas são também homens, são gente, tem características humanas, positivas ou negativas”, justifica ele, lembrando que Oxalá surge associado ao mundo do futebol, com um globo terrestre na cabeça e pequenos jogadores em cima. “Oxalá é a paz e é também o congraçamento e união dos homens de diversas origens, o que é uma característica do futebol, sobretudo quando falamos de Copa do Mundo”, observa o artista.

Projeto de afirmação cultural

Assembléia discutiu planos futuros e perspectivas do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira

amafro 4 O antigo prédio do Tesouro, sede do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira(MUNCAB), localizado no Centro Histórico de Salvador, na manhã do último sábado (26), foi palco da Assembléia Geral Ordinária da Sociedade Amigos Da Cultura Afro-Brasileira (AMAFRO), instituição responsável pela instalação do MUNCAB na Bahia. Durante a assembléia, os associados, parceiros, diretores e colaboradores discutiram sobre os planos de metas, balanços anuais, relatórios financeiros e elegeram os novos membros da direção e conselheiros, além da aprovação da proposta de anuidade paga pelos associadaos da AMAFRO de R$ 10,00 para ajudar no custos internos da organização e a institucionalização do MUNCAB com a elaboração do projeto de lei tornando-o um museu de âmbito nacional, público e federal.

O compositor e poeta, José Carlos Capinan, reeleito à presidência da AMAFRO, ressaltou as difuldades encontradas na aprovação dos projetos culturais e disse que a instalação do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira exige muita ginga, muito jogo políitico. "O Museu é uma casa do conhecimento. O MUNCAB não pretende tomar as narrativas museológicas apenas como memória.Afinal de contas, essas memórias servem muito para orientar as perspectivas do futuro. Não podemos esquecer que uma das grandes contribuições da cultura afro-brasileira foi a construção da alteridade. O negro se integrou à sociedade brasileira deixando um legado indiscutível para a formação do país", explicou o tropicalista.

Nesse processo de instalação do MUNCAB, a senadora Lídice da Mata tem sido um braço direito irtemediando junto com outros deputados baianos, como Nelson Pelegrino e Valmir Assunção, perante os técnicos do Ministério da Cultura para liberação da segunda parcela do projeto. Após homenagem recebida pelos associados da AMAFRO, Lídice da Mata disse que a transformação do MUNCAB em um museu nacional da cultura afro-brasileira na Bahia apresenta-se como projeto essencial para o país. A senadora informou que encomendou uma pesquisa ao Senado com o objetivo de avaliar a opinião dos brasileiros sobre as áreas de investimento público no Brasil.Segundo essa pesquisa, os brasileiros consideram a educação, a saúde e a cultura como setores prioritários. " Cultura deve ser entendida como atividade econômica, como fonte geradora de emprego e renda!", pontuou Lídice, declarando a concessão de uma emenda parlamentar no valor de 200 mil reais para auxiliar nas despesas da AMAFRO.

O empresário do restaurante Cantina da Lua, localizado no Pelourinho, Clarindo Silva, enfatizou sobre a importância da instalação do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira para a revitalização do Centro Histórico da capital baiana." O prédio do Tesouro estava entregue às ruínas . As reformas que já foram feitas e a abertura agora em novembro em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes foi uma demonstração de resistência, de luta. O Pelourinho é o coração desse país e o coração não funciona quando suas artérias estão com problemas", frisou em discurso emocionado, Clarindo Silva.

O projeto museológico do MUNCAB propõe a criação de um museu dinâmico, um museu que não se restringe ao passado e que irá dialogar com as linguagens artísticas como o teatro, a dança e a música possibilitando uma maior integração entre o espaço museológico e as escolas públicas, as comunidades carentes e os grupos étnicos como quilombolas e indígenas." Vamos trazer os profissionais e mestres para o MUNCAB . Vamos criar também a TV MUNCAB e usar o espaço do museu como universidade livre, como grande palanque de efetivação da lei 10.639!", frisou o apresentador, professor de língua portuguesa e integrante da amafro, Jorge Portugal.

Assessoria de Comunicação/ Jaqueline Barreto